segunda-feira, 10 de junho de 2013

Último dia de férias...

Depois de uma semana de descanso, uma semana em que não tive de me preocupar com o tocar do telefone, com o responder aos pedidos de esclarecimento que vão caindo na caixa do correio, com a preocupação constante em certificar-me de que cumpro com os objectivos, dou por mim a pensar que a minha enorme insatisfação se deve por estar a entrar naquela fase em que sinto que tenho de mudar. Mas, mudar o quê e como? 

Com as miseráveis perspectivas que temos, a acrescentar às notícias diárias de jovens e menos jovens, que optam por abandonar o país por motivo de não verem quaisquer possibilidades de construir o seu futuro aqui, no país que os viu nascer, junto dos que amam, confesso que me sinto esmagada.

Depois, penso nas condições que tenho, e nas que me poderiam oferecer. Penso no tempo despendido no trajecto, que agora é ganho e aproveitado para uma série de coisas a que só as mulheres dão valor.

Depois, penso nas chatices com os colegas, que apesar de saber-me imune a tamanha mesquinhez, sinto falta. Mas sei que não existe nada melhor que não ser obrigada a ver pessoas que não agradam nem ao menino jesus. Penso no meu cãozinho, que me faz companhia, que me obriga a sair de casa e dar uns passeios pelas ruas próximas. Que me acompanha a todas as divisões. Que parece a minha sombra.

Depois penso no dinheiro que não gasto em transportes públicos, em cafés, na roupa que não preciso de comprar para estar actualizada, nos sapatos de salto alto que não precisam de estar apertados, engraxados, a combinar com a roupa ou com a mala. Mas também sinto a falta destes pormenores. Penso que em casa, mesmo preocupando minimamente em vestir um outfit confortável e que me permita sair para ir à rua com o Zeca, são questões femininas que têm de me acompanhar para que me sinta bem comigo. Para que me sinta bonita. Mas, dispenso os saltos altos.

Depois, lembro o último emprego. Aquele em que me sentia verdadeiramente útil, que me ajudou a perceber o que queria fazer nos próximos tempos. Aquele que me ensinou muita coisa, não se limitou à formação profissional mas também à formação pessoal. Aquele em que aprendi, por mim, mas também com a ajuda dos outros, a perceber as pessoas, a interagir positivamente. E fiquei surpreendida com a minha capacidade de ouvir os conselhos dos outros. Surpreendida por as pessoas serem tão complexas, mas ao mesmo tempo tão simples. Aquela formação pessoal que muito me tem ajudado a entender, aceitar e comunicar com a actual chefia.

Depois lembro os anteriores empregos. A questão de inicialmente tudo ser muito bonito, tudo ser diferente. A questão de passados uns meses estar cansada. Cansada das funções. Cansada dos transportes. Cansada de ver as mesmas pessoas. Cansada dos mesmos problemas. Cansada da rotina.

Estou certa de que tenho de colocar o emprego para segundo plano. Relaxar. Cumprir com o horário e meditar uns segundos para conseguir transportar-me do plano laboral para o plano da minha vida. O plano em que me sinto confortável, satisfeita, contente. O plano onde o pouco é muito. O plano onde tenho o papel principal!

3 comentários:

  1. Sensacional Rita! Me sinto assim tambem. Adoro poder pular da cama, vestir qualquer coisa (decente) e correr para deixar o filho na cada da avó. Mas também já sinto falta de me arrumar, maquiar, colocar umas sandalias de salto ...ver e ser vista. Depois me lembro que tambem teria de lidar com as pessoas que não agradam nem ao Menino Jesus (genial! como ri desta!). Enfim, é tudo tao complicado... nunca estamos conformes1?!?! Céus!

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  2. Nunca mesmo. Uns dias cinzentos e outros radiosos. Vá-se entender! :)

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